quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

National Kid e as ninfas de Urânus


Primeiro Capítulo
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Depois de salvar a terra da destruição, National Kid retornou para seu lar, na estrela Alfa-Centauri. O seu legado de paz e harmonia entre os povos abençoou os seus ex-alunos por décadas. Até que um dia....

Era pouco mais de 2 da manhã daquele chuvoso sábado. A pista de dança bombava. Ondas de corpos suados, exalando a sensualidade característica de jovens sedentos e sequiosos, se enroscavam em um frenesi de luzes e cores. Onofre Tiako, completamente bêbado, comemorava. Apesar da rigidez do código samurai que seguia, sua nomeação para o posto de conselheiro-ninja magno do braço brasileiro da fraternidade secreta Amigos do National Kid era motivo de júbilo. Entre a embaçada névoa etílica, observava. Viu, ao fundo, uma loira, só. “Uma presa fácil para meus poderosos dotes ninja”, pensou. Logo estava ao seu lado e começou um discurso engrolado sem sentido, pontuado por “banzais”. A loira, apesar do barulho provocado pela música, estava com os headphones do seu Ipod nos ouvidos. “Estranho, muito estranho”, tergiversou Onofre. Tentou chamar a atenção dela com mímicas. Mas os movimentos que fazia, simulando uma dança, não despertaram o interesse. Tentou alguns outros. Até que colocou a mão no bolso. A loira imediatamente olhou para ele e, sem falar nada, deu-lhe um fortíssimo tapa na cara. Seu amigo, Godofredo Takakura, rindo de se acabar, veio ao seu socorro. O sangue escorria pelo nariz de Tiako. “Maldita gaijin, desgraçada filha da mãe”, cuspiu.

A loira ainda estava impressionada com a situação. Dirigiu-se ao banheiro, em companhia de suas amigas, uma morena e uma ruiva. “Porra, o japa tava doidão”, exclamou. “Ai amiga”, disse a morena estonteante, “Não combinamos que não íamos chamar a atenção? Esqueceu da nossa missão?”. “Claro que não, né? Mas o que eu podia fazer com um japa fingindo que estava me comendo? Sorte a dele que eu não estava com minha pistola laser”, respondeu. Imediatamente um bipe soou nos 3 Ipods. “Temos que correr”, disse a ruiva já saindo do mictório. Deram de cara com Onofre. Ainda puto. Ainda sangrando. Mas bêbado, ao invés de aplicar uma das vinganças aprendida nos altos cumes japoneses, perguntou, olhos brilhantes, à queima-roupa, “Podemos fazer uma suruba, loira-sama?”. Um chute de bico, no saco, foi a resposta. O uivo de agonia e dor foi abafado pelo som batido da Acid-Music. Cambaleando, Onofre saiu amparado por seu amigo, braço direito na fraternidade, seguidos da risada histérica das pessoas que presenciaram a cena.

Riram, mas não por muito tempo....



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continua


Yoomp

1 Comentário:

VANUZA PANTALEÃO/OBRA LITERÁRIA disse...

Ricardo, você acertou em cheio ao mencionar o "grande herói" da década de 60, NATIONAL KID, rssss.Naquele tempo, o "glorioso golpe militar" se implantava no nosso solo pátrio e as TVS preto e branco não ousavam fazer uma programação que não tivesse futebol ou o campeoníssimo "Nationala Kito" (na musiquinha era assim)...e a estudantada "tomando ferro" (literalmente). Vou passar aos demais capítulos porque gostei do teu lado ficcionista. Legal mesmo!

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